segunda-feira, 23 de maio de 2011

A Boa Convivência Familiar

Um menino, interrogado pelo padre sobre onde morava, afirmou sem titubear: “moro no inferno”. Na verdade, não podemos negar que o lar pode ser um pedaço do céu ou do inferno. Não há pior lugar para morar do que num lar desestruturado; mas também não há melhor lugar do que num lar onde reina o amor, o respeito e a compreensão.

A família é a célula máter da sociedade, portanto, se ela for cancerígena imagine o mal que poderá produzir. Diga-me se um homem ou uma mulher é crente, não pela igreja que frequenta, mas pelo seu comportamento na família. De nada adianta se orgulhar da igreja ou de cumprir suas funções ministeriais se não forem coerentes na vida em família. Somos desafiados constantemente a negociar nossos valores, mas não podemos fraquejar, ou então, o fracasso jaz a porta. Moody falou certa vez: "Se o mundo não tem nada a dizer contra ti, cuidado para que Jesus Cristo não tenha nada para dizer a teu favor".

O padrão para que alguém exerça função na igreja inclui a família: “que governe bem a sua casa”. O lar é o campo onde se treina para avançar para uma liderança maior. Deus nos proveu uma equipe onde podemos e devemos mostrar que somos dispostos a liderar com eficiência. Cabe aqui aplicar as palavras do sábio: "Você conhece alguém que faz bem o seu trabalho? Saiba que ele é melhor do que a maioria e merece estar na companhia de reis" (Provérbios 22:29, NTLH).

Perguntas a considerar:

Como governar cinquenta pessoas, se não damos conta de governar cinco?
Como conquistar uma autoridade maior, se onde nos tornamos líder sem conquista, não demonstramos tal capacidade?

Somos líderes de vidas que não nos escolheram, que são nossos filhos, mas que estão nos aceitando, mesmo que sejamos incompetentes, inclusive alguns frustrados, mas nos defendendo como a heróis. Portanto, devemos considerar a grande oportunidade que estamos tendo, inclusive de corrigir nossos erros. Dentro do seio familiar estamos sendo tolerados, mas em outras instituições talvez já teríamos sido demitidos, e nos faltaria oportunidades para tentar outras maneiras.

As Escrituras Sagradas nos dão as diretrizes para promovermos uma boa convivência familiar e, diante de tantas famílias que depõe contra os bons costumes, podemos fazer diferença, uma vez que somos o “sal da terra” e a “luz do mundo”. Não podemos permitir que nos tornemos insípidos, pois nossa influência se evaporaria e Jesus disse que para nada mais serviria a não ser para ser pisada pelos homens. O mundo se deteriora como o peixe ou a carne estragada, enquanto que a Igreja pode retardar a sua deterioração.

A salinidade do cristão é o seu caráter conforme descrito nas bem-aventuranças, é discipulado cristão verdadeiro, visível em atos e palavras. Para ter eficácia, o cristão precisa conservar a sua semelhança com Cristo, assim como o sal deve preservar a sua salinidade. Se os cristãos forem assimilados pelos não-cristãos, deixando-se contaminar pelas impurezas do mundo, perderão a sua capacidade de influenciar. A influência dos cristãos na sociedade e sobre a sociedade depende da sua diferença e não da identidade. O Dr. Lloyd-Jones enfatizou: "A glória do Evangelho é que, quando a Igreja é absolutamente diferente do mundo, ela invariavelmente o atrai. É então que o mundo se sente inclinado a ouvir a sua mensagem, embora talvez no princípio a odeie”. Se nossas famílias deixarem de ser o sal da terra, seremos como afirmou A. B. Bruce "de salvadores da sociedade, tornaremos o material de pavimentação de suas estradas!"

Estamos diante de uma ruptura e a erosão da unidade familiar. O divórcio está desenfreado, e "morar junto" sem a formalidade de uma cerimônia de casamento está cada vez mais comum. Somente a unidade familiar cristã forte será capaz de sobreviver ao próximo holocausto mundial.

Para nos prepararmos para a crise que se aproxima temos que nutrir e armar a unidade familiar. Os itens que mencionei anteriormente podem ser aplicados à nossa vida familiar.
  • Primeiro, temos que colocar Deus no centro de nossa vida familiar, e torná-lo também a circunferência.
  • Segundo, como família, temos que caminhar diariamente com Deus.
  • Terceiro, consultar e memorizar a Bíblia em família é vital.

“Quando o lar é governado pela Palavra de Deus, podemos convidar os anjos para se hospedarem conosco, e eles se sentirão à vontade” (Spurgeon).

O lar cristão deve servir como ilustração da relação entre Cristo e a Igreja. Portanto, o lar precisa ser um ambiente de amor, respeito, paz, santidade, dedicação a Deus e ao próximo, sem falsidade, um altar de adoração. Para que isso seja realidade é necessário que os sacerdotes sejam exemplos, isto é, marido e mulher cheios do Espírito Santo, amantes da Palavra de Deus e dos bons princípios.

Nossos vizinhos talvez não vão à igreja ou leiam a Bíblia, mas eles vão observar nossas vidas e ler o que fazemos e dizemos. É uma responsabilidade tremenda representar Jesus neste mundo, mas pelo poder do Espírito de Deus, podemos ser testemunhas fiéis (Atos 1:8).

Ilustração: um homem visitou uma igreja e aceitou a Jesus, propondo que jamais abandonaria esse caminho. Numa entrevista de consolidação, perguntaram-lhe: qual a parte do culto ou do sermão mais lhe tocou para que tomasse essa decisão? Prontamente respondeu: o exemplo da família que mora ao lado da minha casa que também é cristã.

A bênção do Senhor está na casa do justo, mas com o ímpio habita a maldição. Para sabermos o resultado de um lar abençoado por Deus, basta que reportemos ao Salmo 133 que afirma:
1 Como é bom e agradável os irmãos viverem em união!
2 É como o óleo precioso sobre a cabeça, que desce para a barba, a barba de Arão, e desce sobre a gola das suas vestes;
3 como o orvalho do Hermom, que desce sobre os montes de Sião. Ali o SENHOR ordena a bênção e a vida para sempre.

A união familiar é comparada a unção sacerdotal, ao orvalho sobre os montes e torna-se altar das bênçãos de Deus.
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