sábado, 27 de setembro de 2008

OS ESCOLHIDOS POR DEUS

OS ESCOLHIDOS POR DEUS
Efésios 1:3, 4


Algum tempo atrás, faleceu em West Palm Beach, na Flórida, uma velhinha com 71 anos de idade. O óbito acusou desnutrição como causa mortis. A pobre velhinha pesava menos de trinta quilos no momento da morte. A aparência dela era de alguém que tinha vivido em precárias condições. As autoridades encontraram a casa indescritivelmente imunda. Os vizinhos relataram que ela sempre batia nas portas dos fundos de suas casas pedindo comida. As roupas que ela usava eram doadas por uma instituição social. Tudo levava a crer que mais um pobre ser humano havia finalmente encerrado sua difícil jornada. Revistando a desprezível casa da velhinha, os policiais encontraram duas chaves. As chaves os levaram aos cofres particulares em dois bancos locais. Quando as autoridades abriram um dos cofres, descobriram mais de setecentos certificados de títulos e apólices, juntamente com duzentos mil dólares em dinheiro. O segundo cofre continha apenas seiscentos mil dólares em dinheiro. Aquela senhora, que havia mendigado comida, usado roupas de segunda-mão, vindo a morrer de desnutrição, possuía uma fortuna avaliada em mais de um milhão de dólares! Paulo escreveu a carta aos efésios para cristãos que estavam propensos a fazer com os seus vastos recursos espirituais o que a velhinha da Flórida fez com seus recursos materiais — não usá-los.

Os cristãos de hoje podem cometer esse mesmo erro. Temos tremendos bens em Cristo e nenhum cristão deve jamais ficar espiritualmente desnutrido nem debilitado. Basta colocarmos em uso o que Deus nos proveu de antemão. Efésios confirma a infinidade das reservas celestiais de Deus. A epístola demonstra que os cristãos não precisam ficar espiritualmente privados de nada. Sendo filhos de Deus, temos ao nosso dispor recursos que podem nos enriquecer incrivelmente em Deus. Paulo descreveu esses recursos como “a riqueza da sua graça, que Deus derramou abundantemente sobre nós” (1:7b, 8). Efésios 1:3–14 dá o tom para os cristãos fazerem um inventário das riquezas de Deus. No original grego, os versículos 3 a 14 formam um período único e prolongado, que resulta numa explosão triunfante de louvor a Deus, envolvendo o passado (vv. 3–6a), o presente (vv. 6b-11) e o futuro (vv. 12–14). Vamos nos concentrar em dois versículos do chamado arrebatador de Paulo ao louvor: Bendito o Deus e Pai de nosso Senhor Jesus Cristo, que nos tem abençoado com toda sorte de bênção espiritual nas regiões celestiais em Cristo, assim como nos escolheu nele antes da fundação do mundo, para sermos santos e irrepreensíveis perante ele… (1:3, 4). O texto estabelece uma verdade que independe de tempo: Deus dá toda sorte de bênção espiritual possível aos que estão em Cristo. O que nós temos em Cristo? Nós temos tudo o que Deus tem para dar!


DEUS NOS DÁ BÊNÇÃOS CONFORME A SUA VONTADE

As palavras de Paulo convidam os cristãos a louvar a Deus: “Bendito o Deus e Pai de nosso Senhor Jesus Cristo, que nos tem abençoado com toda sorte de bênção espiritual nas regiões celestiais em Cristo, assim como nos escolheu2 nele antes da fundação do mundo…” (vv. 3, 4; grifo meu). Antes da terra existir, Deus desejou partilhar com os cristãos o Seu amor e as riquezas que estavam, literalmente, “nas regiões celestiais”. A natureza de Deus O dispôs a expressar o Seu amor para com os outros e a partilhar Suas riquezas com eles. Deus decidiu por livre vontade e escolha criar filhos e filhas à Sua própria imagem. Ele lhes deu a capacidade de ter prazer em estar com Ele, amá-lO, partilhar do Seu lar e louvar o Seu nome. A descrição de W. Phillip Keller nos ajuda a imaginar a reação do reino celestial quando Deus permitiu-lhe tomar ciência do Seu plano: Até onde os humanos podem saber, é possível que aquela tenha sido uma das idéias mais ousadas já geradas nas câmaras do concílio divino. E pode-se afirmar que quando o plano tornou-se conhecido, uma onda de empolgação varreu a vastidão da eternidade. Nem um anjo sequer nem outro espírito ministrador jamais sonhara com tal projeto surpreendente. Deus estava decidido a reproduzir-Se. Ele traria à existência, como filhos, outros seres como Ele. Ele pretendia encher o Seu lar celestial com seres dotados de livre arbítrio e feitos à imagem do Seu próprio caráter. Eles seriam herdeiros e co-herdeiros com Cristo, o Seu Filho, empossados para desfrutar da eternidade em êxtase. A idéia deve ter causado uma tremenda comoção no Deus Filho. Agora Ele teria irmãos e irmãs com quem dividir as alegrias da eternidade. Já não seria o filho único. Era um empreendimento desafiador. Para Ele cairia a responsabilidade de levar a cabo a consumação desse plano. Deus decidiu livremente nos fazer filhos e filhas. O que devemos fazer com a idéia de que Deus nos escolheu para sermos Seus filhos em Cristo? Podemos nos contentar com menos. Podemos descartar a idéia de que Deus quer que sejamos os Seus filhos. A maioria das pessoas, de fato, faz isto. O autor C. S. Lewis fez isto. Durante anos, Lewis identificou-se como um ateu. O professor inglês não tinha um lugar para Deus em sua vida. Mais tarde, ele mudou de idéia. Tornou-se um crente e pôde escrever da perspectiva de alguém que, uma vez, se conformou em ser menos do que um filho de Deus: Somos criaturas indiferentes, brincando com bebidas, e sexo, e ambição, quando nos é oferecida uma alegria infinita, assim como uma criança ignorante que prefere continuar fazendo tortas de barro numa rua de terra porque não consegue imaginar o que significa um feriado na praia. É fácil demais nos agradar. Deus procura filhos e filhas a quem Ele possa abrir as abóbadas celestiais. A escolha é nossa; podemos nos contentar com menos. Muitos fazem isso. Por outro lado, podemos aceitar o melhor de Deus. O objetivo de Deus é nos adotar e nos fazer Seus filhos, nos tornar herdeiros de Suas riquezas, imprimir em nós a Sua imagem e dividir os céus conosco para sempre. Pense por um instante. Onde você está nisso tudo? Você está se conformando com menos? A decisão divina de fazê-lo Seu filho e lhe dar as riquezas celestiais é algo que o deixa maravilhado? Você não quer deixar que isto aconteça na sua vida?


DEUS NOS DÁ BÊNÇÃOS AO SEU MODO

Deus nos dá cada bênção espiritual “em Cristo”. A expressão “em Cristo” ou seu equivalente ocorre mais de vinte vezes em Efésios. Paulo fez um uso profuso dela nestes primeiros versículos: Os fiéis estão em Cristo (v. 1). Cada bênção espiritual é em Cristo (v. 3). Os escolhidos estão em Cristo (v. 4). Somos santos e irrepreensíveis em Cristo (v. 4). A graça é concedida gratuitamente em Cristo (v. 6) Temos redenção e perdão de pecados em Cristo (v. 7). Fomos selados com o Santo Espírito como garantia da nossa herança em Cristo (v. 13). Estas declarações indicam a importância de estar em Cristo. Poderíamos valorizar muito mais o fato de estarmos em Cristo se comparássemos isto a algo que conhecemos. Vamos substituir “em Cristo” pelas palavras “na família”. Quando você pertence a uma família, por nascimento, por casamento ou por adoção, o que isto quer dizer? Estando “na família”, você tem certos privilégios. Quando eu passo pela porta da minha casa, ninguém me pergunta: “Quem deixou você entrar?” Minha esposa, Sallye, não age como se eu fosse um intruso. Meu filho não tenta lutar comigo empurrando-me para fora. Minha filha não chama a polícia. Todos eles sabem que eu pertenço à casa deles porque eu estou na família. Privilégios, responsabilidades e expectativas fazem parte de estar na família. Estar “em Cristo” significa que você pertence a Ele. Você foi unido com Ele. Todos os privilégios, responsabilidades e expectativas de estar em Cristo são seus. Não são enviadas por um sistema de segurança ondas de eletro-choque pelos corredores dos céus, quando Deus lhe dá um lugar no Seu reino. Ter um lugar no reino faz parte de estar em Cristo. Anjos não desmaiam quando Deus envia o Seu Espírito para habitar em você. Isto faz parte de estar em Cristo. Ninguém se opõe ao fato de Deus perdoar todos os seus pecados. Isto faz parte de estar em Cristo. Quando a sua vida na terra terminar, nenhum ser celestial indagará por que você tem um lugar no lar eterno de Deus. Isto faz parte de estar em Cristo. Em Cristo você recebe perdão dos pecados, adoção como filho de Deus, o dom do Espírito Santo, esperança de vida eterna, santidade, retidão, bondade, glória, força, perseverança, paz, poder e todas as demais riquezas de Deus. Esses privilégios soam maravilhosos demais, não soam? É quase indescritível tudo o que uma pessoa recebe em Cristo! Se recebemos tudo isto em Cristo, por que, muitas vezes, ainda nos vemos às voltas com a culpa? Por que não nos sentimos santos, retos ou bons? Por que somos fracos em algumas áreas? Por que ainda pecamos? As Escrituras dizem que somos filhos de Deus, mas com certeza não agimos como tal o tempo todo. Sempre colocamos o “ego” em primeiro lugar. Decepcionamos aos outros e a nós mesmos. Muitos cristãos lutam com este pensamento: “Tem alguma coisa errada comigo. Vejo o cristianismo funcionando com outras pessoas, mas parece que não consigo ser consistente com os caminhos do Senhor”. A maioria dos cristãos fazem essas perguntas a si mesmos — incluindo presbíteros, pais e os que são cristãos há anos. Duas sugestões me ajudam quando começo a pensar dessa forma. Volte aos fundamentos básicos. Preciso reafirmar a minha identidade: sou filho de Deus. Deus me fez Seu filho através de Jesus. É isto o que Ele quer que eu seja. A seguir, preciso reafirmar para mim mesmo que eu estou “em Cristo”. Gálatas 3:26 e 27 diz: “Pois todos vós sois filhos de Deus mediante a fé em Cristo Jesus; porque todos quantos fostes batizados em Cristo de Cristo vos revestistes”. Isto é um princípio básico. Se tenho agido baseado na fé em Cristo e fui batizado em Cristo, então estou em Cristo. Em Cristo, toda sorte de bênção espiritual é minha! Use os fundamentos básicos. Quando estou desanimado comigo mesmo, geralmente isto se deve à negligência dos fundamentos básicos. Assim como a velhinha “pobre” da Flórida, não tenho usado meus bens. Isto leva à inanição espiritual. Entre os fundamentos básicos estão: 1) a Palavra de Deus — estudá-la, memorizá-la e meditar nela; 2) oração — ter comunhão regular com Deus; 3) serviço — participar pessoalmente da obra do reino, 4) comunhão fraternal — partilhar a vida com os irmãos em Cristo. Sim, você e eu precisamos, de tempos em tempos, nos lembrar de quem somos. Quando nos desanimamos, podemos usar 1:3–14 para confirmar a nós mesmos quem realmente somos. Você gostaria de fazer isto agora? Faça você mesmo se lembrar de quem é.
Diga a si mesmo: “Eu sou escolhido por Deus. Eu sou santo e irrepreensível perante Ele. Eu sou perdoado. Eu sou remido pelo sangue de Cristo. Eu recebi o Espírito Santo. Tenho a garantia de uma herança eterna, porque eu estou em Cristo!”


CONCLUSÃO: Certa mulher chamada Hetty Green foi conhecida como a avarenta mais notória dos Estados Unidos. Quando ela morreu em 1916, deixou uma fortuna de cem milhões de dólares; embora ela mesma não tivesse utilizado esses recursos. Ela chegava ao ponto de comer mingau de aveia frio no café da manhã para economizar gás. Quando seu próprio filho feriu gravemente uma perna, ela adiou o tratamento até encontrar uma clínica que atendesse gratuitamente. O menino acabou perdendo a perna. Hetty viveu uma vida de insensatez. A avareza a impediu de fazer bom uso de seus bens6 . Como seria insensato ver o que Deus oferece em Cristo e menosprezar ou não fazer uso disso! Deus quer lhe dar toda sorte de bênção. Não vire as costas para o que Ele está lhe oferecendo.
Postar um comentário