terça-feira, 4 de novembro de 2008

AMPLIANDO A TENDA PARA CONQUISTA

Isaías 54:1-4

Isaías estava profetizando sobre a restauração de Judá. Eles tinham sido levados cativos para a Babilônia, mas Deus estava trazendo-os de volta para que retomassem as cidades e reconstruísse tudo o que tinha sido destruído. Era uma profecia sobre o futuro de Israel e que, portanto, trazia uma mensagem de esperança. Ele faz uma analogia chamando Sião de mulher, sendo Deus, o Criador, o seu marido (v.5). Por causa do pecado do povo (esposa), o marido (Deus) tinha se divorciado (o exílio na Babilônia). Por isso não teve filhos, estava estéril. Mas Deus estava restaurando esse “matrimônio”, o que faria com que muitos filhos surgissem como resultado, muito mais do que antes – “...porque mais são os filhos da mulher solitária do que os filhos da casada, diz o Senhor” (v.1). Deus não criou a esterilidade (tanto que disse: crescei, frutificai, multiplicai...). A criação original não previa nem compactuava com a esterilidade. A frutificação é inerente ao Espírito de Deus. Isso nos revela que, o fato de Judá ter sido levada como escrava e viver em esterilidade, não agradava a Deus. Portanto, Ele estava propondo a restauração. E a restauração nada mais era do que devolver a capacidade para crescer, frutificar, multiplicar. O sinal da presença de Deus é a vida, e a vida gera vida.


É TEMPO DE ALEGRIA
Se falamos de restauração e avivamento, falamos de vida espiritual, o que implica em frutos. Não se pode, jamais, separar avivamento de frutificação. O Senhor quer conduzir muitos filhos à glória (Hb 2:10). A Igreja do Senhor Jesus é a Sião mencionada aqui. A proposta de Deus se aplica também a nós. Ele quer nos restaurar e devolver a capacidade de frutificar, porquanto estávamos estéreis. A Igreja, de uma forma geral, ainda está estéril. Esta passagem, escrita por Isaías, nos orientam sobre o conteúdo e a dimensão da obra que Deus quer fazer no meio do Seu povo. Ele começa falando sobre a alegria. “Canta alegremente...” (v.1). Dar à luz é motivo de muita alegria. Nas culturas antigas, era motivo de vergonha e de tristeza não poder ter filhos, e Israel estava naquela condição. Logo, poder ter filhos era motivo de muita alegria e júbilo! A Igreja deveria sentir-se assim! O Senhor estava convidando Seu povo a se alegrar. Eles não tiveram dores de parto, agora experimentariam a honra de tê-las. As dores de parto eram dores que alegravam a mulher. Interessante o paradoxo: dor e alegria ao mesmo tempo. A reprodução espiritual segue o mesmo princípio do parto natural. A mulher sente dor ao ter o filho, mas a alegria de poder abraçá-lo logo após o parto supera infinitamente a dor. Quando acontece uma ação do Espírito, um mover de Deus, surge no meio do Seu povo uma intensa alegria em poder sentir as dores de parto. Paulo disse: “...meus filhos, por quem, de novo, sofro as dores de parto, até ser Cristo formado em vós” (Gl.4:19). É uma dor, uma renúncia, um sofrimento que vale a pena!


É TEMPO DE REPRODUÇÃO

Quando o Espírito Santo é derramado Ele tem um só objetivo: reproduzir, procriar. Alguns encaram o relacionamento com Deus da mesma forma que um casal quando se recusa a ter filhos, pois quer apenas usufruir o relacionamento. Isso não é possível no relacionamento com Deus. Não poderá haver intimidade sem o propósito de multiplicar a vida. É preciso renúncia - Alguns não querem ter as “dores de parto”, porquanto isso exige renúncia, muito desconforto, e, às vezes, o preço é altíssimo. Essa atitude egoísta reflete claramente a falta de intimidade com Deus e de um verdadeiro relacionamento com Ele. Para aquelas mulheres no passado a maior vergonha era não ter filhos, por isso faziam qualquer coisa para poder alcançá-los. Os que ficam constrangidos e não se conformam com a esterilidade, desejam ardentemente e começam a clamar a Deus, como clamou Ana. Ela pediu a Deus um filho e o fez com intensidade e profunda contrição de espírito: “Levantou-se Ana, e, com amargura de alma, orou ao Senhor, e chorou abundantemente” (I Sm.1:10). Deus ouviu a sua oração e ela gerou a Samuel. Nossa atitude deveria ser a mesma, na disposição de pagar o preço da dor e do desconforto. Se você tem alegria em poder reproduzir-se, é sinal de que está debaixo do mover do Espírito; se for o contrário, você está precisando curvar-se diante do Senhor para buscar o perdão e a restauração! É preciso fé - Existem, também, aqueles que já não mais acreditam poder frutificar. Estão tanto tempo na Igreja sem produzir, que já desanimaram, ou se acostumaram com a esterilidade! Pois, assim como Deus falou a Judá naquele tempo, Ele está falando hoje e usando os seus profetas para anunciar que o Senhor está trazendo um novo sopro do Seu Espírito, que atingirá a todos e fará a todos frutíferos. Neste caso a incredulidade é o maior empecilho, assim como aconteceu com Sara! Ao ouvir o anjo anunciando a Abraão, seu marido, que daria à luz com noventa e nove anos de idade, estando atrás da porta da tenda, riu-se no seu íntimo (Gn.18:12). A resposta de Deus foi: “Por que se riu Sara...? Acaso, para o Senhor há coisa demasiadamente difícil?...” (vs.12,13). Algumas pessoas, ao ouvirem que vão produzir muitos filhos espirituais, podem estar rindo no seu íntimo. Isso é incredulidade. Sara concebeu e gerou um filho, chamado Isaque, que quer dizer “riso”, porque riu. No entanto, teve motivo de riso com o nascimento de um filho, pelo que disse: “...Deus me deu motivo de riso; e todo aquele que ouvir isso vai rir-se juntamente comigo” (Gn.21:6).


É TEMPO DE AMPLIAR A TENDA
A outra instrução de Deus, através de Isaías, foi: “Alarga o espaço da tua tenda; estenda-se o toldo da tua habitação, e não o impeças...” (v.2). Muitos filhos viriam e não seria mais possível continuarem com a casa do mesmo tamanho, e isso não significa apenas espaço físico. O que podemos entender é que a Igreja precisa preparar-se para receber os novos filhos. É necessário que se mude as estruturas, que a Igreja se organize de tal forma que todos possam ser amparados e que nenhum se perca. As células são compatíveis com o clima de avivamento, porquanto retêm o fruto, e ele não se perde. A célula é uma equipe que trabalha em unidade para produzir filhos e criá-los até serem fortes e adultos para gerarem outros! “...E não o impeças...”. Nada deve interferir na visão no projeto de Deus para a Sua Igreja. Não devemos deixar que a carnalidade, a divisão, a falta de santidade, ou mesmo o tradicionalismo, venham impedir que os novos sejam devidamente recebidos, cuidados e alimentados. Quando não permitimos o Espírito Santo agir, nós mesmos estamos impedindo a ação de Deus. E a tenda deve ser estendida antes que venham os filhos! Devemos esperá-los ansiosamente e nos prepararmos durante o tempo de gestação, assim como os pais preparam o quarto do bebê com todo o carinho e expectativa antes que ele chegue.


É TEMPO DE FIRMAR AS ESTACAS
“...Alonga as tuas cordas e firma bem as tuas estacas” (v.2). Isto nos fala de fundamento, de firmeza. É necessário que estejamos fundamentando toda essa estrutura. Isso se faz observando a palavra de Deus, a doutrina dos apóstolos, e, mais, os valores do Reino. Os valores determinam nossas prioridades, e estas as nossas práticas. Se não tivermos bem resolvido em nosso interior o que vem sempre em primeiro lugar não estaremos preparados para o que está por vir. As estacas sustentam a tenda. Todas devem estar bem firmadas, do contrário os ventos vão afrouxando uma após a outra, até que todas se soltam e a tenda cai. Devemos cultivar a vida de oração, a leitura da Palavra de Deus, a vida de santidade, o relacionamento familiar, a obediência e o respeito aos líderes, o compromisso com o evangelismo e o discipulado, enfim, a busca do Reino de Deus como prioridade (Mt.6:33). O v.3 nos revela o resultado. Será uma colheita abundante! “Porque transbordarás para a direita e para a esquerda...”. Deus fala de “transbordar” porque a Sua proposta é sempre abundante. Se Ele é o Deus Todo Poderoso e rico em todos os sentidos, é claro que pão-durismo não faz parte da Sua natureza. Ele fala em transbordar, porque a vida se multiplica e não apenas duplica. Quanto mais filhos, mais bênçãos! “Herança do Senhor são os filhos; o fruto do ventre, seu galardão... Feliz o homem que enche deles a sua aljava...” (Sl.127:3-5).

CONCLUSÃO
O Senhor está tirando toda a esterilidade! É tempo de restauração e de multiplicação. É tempo de alegrar-se antecipadamente pela colheita. Estamos no processo de gestação e a nossa expectativa reflete a nossa fé, como Ana. Deus está ouvindo nossas orações! Vamos nos preparar, alargar o espaço da nossa tenda e firmar bem as nossas estacas. É hora de alegria – “...exulta com alegre canto...”. Os que, porventura, não podem fazê-lo agora, ainda há tempo de clamar, de buscar e de apropriar-se, pela fé, da promessa do Senhor porque “...Acaso, para o Senhor há coisa demasiadamente difícil?” (Gn.18:14).
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