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quarta-feira, 8 de agosto de 2012

Identidade cristã – identificação com Cristo | Pastor Wanderley da Silva

A Bíblia fala a respeito dos discípulos que, em Antioquia, foram pela primeira vez, chamados de “cristãos”. Isso estava ligado ao modo deles falarem, agirem e testemunharem, mas a base de tudo isso era o alto compromisso que tinham com o Evangelho de Jesus Cristo, At 11:26.
“… E, por todo um ano, se reuniram naquela igreja e ensinaram numerosa multidão. Em Antioquia, foram os discípulos, pela primeira vez, chamados cristãos”.
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Identidade cristã – identificação com Cristo | Pastor Wanderley da Silva

terça-feira, 13 de março de 2012

QUANDO A IGREJA FRACASSA

QUANDO A IGREJA FRACASSA

Muito importante para uma análise atual do comportamento de muitas igrejas e grupos tidos como evangélicos e respaldados na Palavra de Deus é o comentário emitido pelo irmão Almir dos Santos Gonçalves Júnior em 1995 no seu livro “Quando a Igreja Fracassa - Sinalizando à igreja sobre alguns perigos modernos que podem levá-la ao fracasso” acerca do perigo que estamos correndo quando deixamos que a Igreja, muitas vezes sem o perceber, perca a sua identidade com os ditames bíblicos.
O texto que extraímos abaixo refere-se a um dos tópicos analisados pelo irmão sobre algumas formas pelas quais a Igreja perde a sua identidade.

A PERDA DA IDENTIDADE PELA NOVIDADE

(...) grande área que desfigura a identidade original da Igreja de cristo como agência de Fé, Amor e Esperança é a ênfase que estamos dando à necessidade de levar a igreja a falar a linguagem moderna ou a adotar os padrões de comunicação do mundo de hoje, com o fim de torná-la atuante e dinâmica e em condições de atrair os perdidos.
Essa preocupação é extremamente grave, pois ela vem atingir aquilo que de mais importante a igreja trouxe consigo do passado e que vem a ser exatamente a própria razão de ser da sua existência: o ato do culto.
Sim, porque tudo o mais que a Igreja hoje representa é secundário ou subordinado ao ato de culto a Deus. O estudo bíblico, o preparo dos crentes, a pregação do evangelho, o relacionamento fraterno entre os irmãos, as ações sociais em favor dos marginalizados, embora eminentemente implícitos no ato de culto, tudo isto se organizou depois, muito depois que a Igreja se constituiu em sua gênese.
Ela surgiu no tempo ainda quando sequer tinha esse nome, pela necessidade do homem em cultuar, em adorar e em reverenciar o ser supremo que ele sentia existir acima dele. Foi assim quando, depois do pecado original, sem que soubéssemos por que, Caim e Abel cultuaram a Deus pelas primícias de suas obras. Depois, quando Enoque, numa forma de culto que devíamos copiar, andava com Deus. O mesmo que Noé, seu bisneto, iria fazer. E, mais tarde ainda, quando Abraão, depois que o Senhor lhe falou ao pé do carvalho de Moré, construiu ali um altar...
O começo está aí. Abraão em Moré, Jacó em Betel, Isaque no Negebe, nada mais faziam do que os seus antepassados Caim, Abel, Enoque e Noé fizeram. A busca do ser criado pelo relacionamento com o ser Criador: o cultuar!
O que eles não sabiam é que, com esses atos isolados, estavam dando origem àquilo que muito mais tarde seria denominado Igreja. No inicio da revelação divina ao homem eles foram os instrumentos para que a noção de culto e reverência ao Pai se fizessem presentes na vida.
Com o crescimento do povo da promessa feita a Abraão, essa necessidade terá que ser repassada a todos os integrantes dessa grande família. Assim é que Moisés, depois de ter, como os seus pais do passado, cultuado a Deus sozinho, em Horebe, vai receber desse mesmo Deus a ordem de construção do tabernáculo: “E me farão um santuário, para que eu habite no meio deles” (Ex 25.8).
Com a construção do tabernáculo por Moisés e depois com a transformação dele em templo por Davi e Salomão, o sentido de um local em especial de culto a Deus se tornará definitivamente arraigado na consciência do povo, até a vinda do Filho de Deus. Embora isso tenha trazido algumas distorções, e era necessário que assim acontecesse para que a noção de igreja e não de templo se enraizasse na comunidade dos santos que iria se formar após a morte e ressurreição do Cordeiro de Deus.
Ali uma transformação radical vai ocorrer, quando com o sacrifício de Cristo no Calvário, o véu do templo se rasga, fracionando-se de alto a baixo em mil pedaços, talvez num simbolismo marcante de que a partir daquele momento o local de culto não mais seria exclusivamente o templo de Jerusalém. Mas aquele da reunião dos crentes em Cristo, onde quer que eles se encontrassem, por toda parte do mundo: “Pois onde se acham dois ou três reunidos em meu nome, aí estou no meio deles”( Mt 18.20 ). Ainda em João 4.21-23, o mesmo Jesus vai antecipar isso à mulher samaritana: “Mulher, crê-me, a hora vem, em que nem neste monte, nem em Jerusalém adorareis o Pai (...). Mas a hora vem, e agora é, em que os verdadeiros adoradores adorarão o Pai em espírito e em verdade; porque o Pai procura a tais que assim o adorem.”
A igreja neotestamentária vai cumprir isso à risca, reunindo-se onde quer que fosse possível e com qualquer número de pessoas: nas dependências do próprio templo logo no início, num cenáculo em alguma casa de Jerusalém,na casa de Cornélio, em Cesaréia, em Samaria, na casa de Felipe, nas sinagogas por onde Paulo passava, à beira do rio em Filipos, na praia em Mileto, na casa de Filemom, em Colossos. Não importava mais o lugar, pois a igreja levava o templo consigo, já que o ato de culto era a razão de ser principal da vida do crente que, salvo pelo amor de Cristo queria agora cultuar de forma expressiva o Deus de toda a revelação.
E esse culto, que não tinha mais o aparato do templo, tinha deixado também o ritualismo das práticas, o cerimonialismo do sacerdócio, o simbolismo do sacrifício, e tudo o mais que estava contido no culto do Antigo Testamento, pois a igreja, sim agora efetivamente Igreja, adentra-se “pelo caminho que ele nos inaugurou, caminho novo e vivo, através do véu, isto é, da sua carne (...)” (Hb 10.20).
O culto voltava assim às suas origens de reação intima e pessoal do crente na presença do Altíssimo. Embora em culto público, o que importa agora é a presença de deus em cada um dos participantes, de forma que individualmente estejam em culto, e não mais o rumor da multidão, o soar das trombetas, o brilho dos instrumentos, a fumaça no altar... A época ritualística havia passado, para deixar as suas marcas e simbolismos como inspiração, mas o evangelho que se iniciava vinha despojado dos símbolos do Antigo Testamento, em razão do novo memorial instituído por Cristo, com a singeleza do batismo e a simplicidade da Ceia do Senhor, que intrinsecamente representam o que o culto hoje deve ser.
A verdade também é que a própria falta de recursos materiais da Igreja cristã primitiva tornava o culto, agora, muito mais uma expressão do íntimo do crente do que uma manifestação com aparatos do rei e seus príncipes ou do clero sacerdotal. Templo não tinham. A arca da aliança havia desaparecido, e dela não precisavam. Vasos de ouro para os serviços eram agora inúteis e desnecessários. Candelabros e castiçais tinham sido substituídos pela Luz que para sempre brilharia. O altar do sacrifício fora destruído, pois se tornara ocioso e inócuo, desde o Gólgota. Enfim, o culto passaria a ter agora a marca da presença do Espírito Santo de Deus, convidando a igreja à reverência, à exaltação e à reflexão na vida de cada um dos seus membros, reflexão esta que, finalizando o processo, deve predispor o crente para a vida santa e produtiva.
Assim, o aspecto de riqueza e magnificência do culto nos tempos de Salomão no Antigo Testamento vai ceder lugar à simplicidade e submissão do culto do Novo testamento:
- o culto no qual Jesus ensinava aos discípulos, orava com eles, depois, cantavam um hino e, então saiam...
- o culto em que Paulo e Silas oravam e cantavam hinos diante dos presos no cárcere em Filipos...
- o culto que Paulo, escrevendo aos crentes em Éfeso, recomendava: “falando entre vós em salmos, e hinos, e cânticos espirituais, cantando e salmodiando ao Senhor no vosso coração” (Ef 5.19).
Esse tipo de culto atravessou os séculos e chegou até os nossos dias. Sem dúvida, houve tentativas de modificações em toda essa trajetória, mas basicamente ele sobreviveu a tudo de mudança que aconteceu no mundo ao seu redor, em seus 20 séculos de prática e convivência.
Hoje, quando a Igreja de Cristo se reúne, embora estejamos alojados em templos modernos, com iluminação fluorescente, ar-condicionado ambiente, aparelhagem de som adequada, carpetes sob os pés, bancos estofados, vestidos de acordo com a última moda da estação, tendo sido trazidos para a igreja em carros de última geração, a nossa forma de culto deve respeitar aquela que, contida na Palavra de Deus, é a única que agrada a ele:
- O culto reverente, no qual a presença dele seja o fato mais importante e sensível aos participantes. A Bíblia, do Antigo ao Novo Testamento nos ensina isto: “tira os sapatos dos pés; porque o lugar em que tu estás é terra santa” (Ex 3.5); “Guarda o teu pé, quando fores à casa de Deus” (Ec 5.1); “E disse-lhes: Está escrito: A minha casa será chamada casa de oração” (Mt 21.13).
- Culto de adoração e louvor, em que a pessoa de Deus é que seja efetivamente exaltada, e não os intérpretes ou intermediários que atuam ou cultuam. Novamente o Antigo e o Novo Testamentos nos ensinam: “Eu não tenho prazer em vós, diz o Senhor dos exércitos, nem aceitarei oferta da vossa mão” (Ml 1.10). “Portanto vos ajuntais, não para melhor, mas para pior” (1Co 11.17); “Quando vos congregais (...) Faça-se tudo para edificação” (1Co 14.26); “Porque Deus não é Deus de confusão, mas sim de paz” (‘Co 14.33).
- O culto de reflexão e introspecção, no qual a operação do Santo Espírito de Deus conduza a uma tal atmosfera de sentimento e avaliação interiores, que todos os participantes, ao dali saírem, não importa há quanto tempo sejam ou não crentes, o façam sempre como novas criaturas em Cristo Jesus. Mais uma vez o Antigo e o Novo Testamentos nos previnem: “Então disse eu: Ai de mim! Pois estou perdido (...) e os meus olhos viram o rei, o Senhor dos exércitos!” (Is 6.5); “e os olhos de todos na sinagoga estavam fitos nele” (Lc 4.20); “Portanto mandei logo chamar-te, e bem fizeste em vir. Agora pois estamos todos aqui presentes diante de Deus, para ouvir tudo quanto te foi ordenado pelo Senhor” (At 10.33).
Sim, porque o culto a Deus deve conter tudo aquilo que está sintetizado em Isaías capítulo 6, texto que para os estudiosos da liturgia expressa o ideal maior em termos de culto, encontrado na Palavra de Deus: adoração e louvor (v.3), contrição e confissão (v.5), proclamação e consagração (v.8), partes estas que têm que possuir como envoltório e envolvimento propícios ao ambiente em que devem transcorrer os sentimentos de reverência, exaltação e reflexão a permear a real participação de cada vida presente ao ato:
- Reverência diante do Senhor de todas as coisas que ali está presente! Exaltação sincera diante do Deus Todo-Poderoso que governa o mundo e o Universo! Reflexão intima diante do Deus que tudo sabe e que conhece os nossos pensamentos! Ou seja, um verdadeiro ato de culto ao Deus Onipresente, Onipotente e Onisciente, que fazia um Moisés esconder o rosto (Ex 3.6), um Isaías sentir-se perdido (Is 6.5), o Cristo curvar-se de joelhos (Lc 22.41)!
Mas a grande verdade é que o culto moderno está tentando de tudo, menos aqueles atributos básicos de sua gênese e razão de ser, atributos esses expressos não na aparente contrição imposta pelo ambiente, mas na reverência sincera e íntima da alma contrita diante de Deus. Não no louvor de esgares ou trejeitos, mas na exaltação sublime, porém discreta. Não na emoção que leva ao ativismo, mas na reflexão que conduz à disposição para o viver cristão! Tudo isso porque o culto sempre foi algo especial para a vida interior do homem e não para o seu aspecto exterior.
As igrejas de hoje corem o perigo de, para se sentirem possuidores da linguagem moderna da comunicação, donas dos padrões da modernidade do marketing, atraentes às multidões e atualizadas, terem que apelar para as novidades mais esdrúxulas e mesmo ridículas no ato do culto.
Neste festival, e não culto, há de tudo:
- os que sopram o espírito...
- os que o lançam por intermédio de suas vestes...
- os que gritam e se arrojam ao chão...
- os que contam testemunhos das coisas mais pueris, como se milagres fossem...
- os guias espirituais em mangas de camisa que descem do púlpito a pretexto de melhor comunicar...
- o pouco caso que se dá ao estudo bíblico, que é tido como algo ultrapassado, pois “o que Deus aprecia mesmo é o êxtase do louvor”...
- os óculos jogados fora, pois “Deus vai curar a sua visão”, ou a boca aberta para mostrar os dentes de ouro recebidos do Senhor...
- os convites para ofertas parceladas, de acordo com as bênçãos que se pretende receber...
- a algaravia ou confusão de palavras, à guisa de falar línguas estranhas, como manifestação de poder, santidade e espiritualidade...
- o anúncio de prosperidade, solução para os problemas de emprego e família, milagres e sinais, ridículos muitas vezes, e quase sempre de comprovação duvidosa ou pelo menos dúbia...
Pior ainda é que há pastores, sinceros e bem-intencionados, que embarcam nessa onda, na justificativa de que o nosso povo tão sofrido e desesperançado precisa mesmo disso. Afinal de contas, justificam, “esse povo precisa de alguma ilusão”, do aceno de algo que o atinja e toque no aspecto emocional, para sustentá-lo e motivá-lo, como se o evangelho de Cristo fosse algum analgésico ou estimulante psíquico, para ser ministrado às pessoas em doses paliativas e regulares.
E por aí vai a igreja de nossos dias, perdendo a sua identidade de fé, esperança e amor, que se expressa pela experiência íntima de reverência, exaltação e reflexão que seus cultos devem transmitir, em prol de uma dita, ou melhor, maldita modernidade ou novidade, que tem que ser adotada para mantê-la de pé, segundo os seus lideres, quando na realidade a está levando para o fundo da degradação e do descrédito de pelo menos uma boa parte da sociedade de hoje, pela descaracterização de sua identidade.
Num de seus sermões, o Padre Antonio Vieira (1608-1697), em pleno século XVII, já clamava contra isso:” Não temo o que é novo por ser novo...temo perder o que é velho, simplesmente por ser velho”.
Se isto já acontecia há 300 anos, o que não dizer do problema em nossos dias?... As coisas antigas estão sendo desprezadas, postas de lado, unicamente por serem antigas. Aquilo que foi provado, testado e comprovado ao longo de anos de uso e de resultados positivos é ridicularizado, achincalhado, unicamente por ser antigo ou velho.
Logicamente a posição da igreja também não deve ser contrária à novidade simplesmente por ser novidade, mas apenas que o antigo não deve ser jogado fora unicamente porque surgiu algo novo. A manutenção de formas e conceitos antigos é fundamental para que, pela análise dos fatos novos, possamos encontrar os melhores caminhos para o amanhã, sem desprezar o antigo, nem mesmo o novo.
Este embate atinge a nossa sociedade em todos os seus segmentos: em nosso lar, no mundo profissional, na indústria de alimentação, na área da informática, no campo dos aparelhos eletrônicos, no setor dos automóveis, no contexto da tecnologia de ponta e também na igreja. Os que procuram ser cautelosos com as novidades e zelam pela manutenção das formas tradicionais ou antigas são chamados de retrógrados, antiquados, conservadores e até mesmo num misto de zombaria e ridículo, de quadrados. Ou seja, o relógio que funciona a corda não presta mais, pois hoje existe o quartzo.
O que me espanta é que os críticos dessa postura eclesiástica mais tradicional não se apercebem de que, em matéria de culto a Deus, os parâmetros já foram estabelecidos até há dois mil anos. Não podemos escrever outra Bíblia! Não podemos modificar os padrões que, de uma forma sublime e maravilhosa, foram implementados pelo próprio Senhor do culto. Ele mesmo exigiu isso, por meio de recomendações taxativas que, embora se apliquem a diversas outras áreas do viver cristão, hoje são também muito próprias para o cuidado que devemos ter com o culto:
- em Provérbios 22.28, o sábio escritor sacro exclama: “Não removas os limites antigos que teus pais fixaram”;
- em Jeremias 6.16, o profeta ouvia de Deus uma declaração categórica diante de um povo que sofria as conseqüências de ter se afastado de sua vontade: “Ponde-vos nos caminhos, e vede, e perguntai pelas veredas antigas, qual é o bom caminho, e andai por ele; e achareis descanso para as vossas almas. Mas eles disseram: Não andaremos nele”;
- em 2Tessalonicenses 2.15, o apóstolo que rompeu com o tradicionalismo judaico vai dizer agora, a respeito da novidade do culto cristão: “Assim, pois, irmãos, estai firmes e conservai as tradições que vos foram ensinadas, seja por palavra, seja por epístola nossa.!
Ou seja, a igreja, o evangelho, o viver cristão não devem ser movidos açodadamente pelos ventos da modernidade. Eles não precisam disto, pois o Senhor os renova naquilo que é fundamental e verdadeiro: em sua mensagem e poder transformador:
- o viver cristão há que ser mesmo conservador, pois parte de uma experiência duas vezes milenar...
- o evangelho há que adotar mesmo padrões tidos com antigos, preconceituosos até, como acusam os críticos modernos, porque repousa em conceitos que já têm vinte séculos de aplicação...
- a igreja há que ser mesmo tradicional, porque é a porta-voz para um mundo que se transforma a todo instante, de um Deus que nunca muda, que foi, que é, e que será!
O que precisamos apreender, para então proceder com retidão diante de Deus,é que o culto é essencialmente um ato memorial. Tal como a ceia e o batismo que foram constituídos como ordenanças pelo Senhor Jesus e praticados pela igreja desde o seu início, em observância estrita ao que ele determinou, assim deve ser a nossa presença no culto.
Naturalmente algumas adaptações tiveram que ser feitas: os cálices para uma multidão, os porta-cálices, o pão previamente partido, o vinho ou o suco da fruta colocados de antemão nos recipientes, bem como a construção de batistérios, a roupa dos batizandos etc. Foram formas que a Igreja, através dos tempos, teve que encontrar para se ajustar às suas circunstâncias, mas intrinsecamente quando estamos participando de tais cultos, estamos remontando aos tempos de Cristo, quando ele os instituiu na sua simplicidade e singularidade.
Assim deve ser como tudo o mais que se relaciona ao culto da Igreja de Cristo em nossos dias:
A Fé, a Esperança e o Amo têm que ser transmitidos a todos os participantes: pela atmosfera de reverência que devemos ter diante dele, pelo sentimento íntimo de exaltação pessoal que devemos sentir na presença dele, pelo sentido de reflexão que devemos alcançar, em decorrência da mensagem que dele recebemos, e que nos conduz à vida e ao serviço! E não pelos modismos e novidades que nada têm a ver com a sua origem divina e com a prática que a Bíblia nos ensinou.
Foi Giuseppe Verdi (1813-1901), o notável compositor italiano, que em pleno século passado, diante das inovações que tentavam mudar a música a que se dedicava, exclamou, como uma inspiração para nós: “Voltemos ao antigo! Será um progresso!” Se no campo da música é assim, para nós, crentes, voltar à e intensa espiritualidade, era sempre um progresso, um enorme progresso.”


(Texto retirado na íntegra do livro “Quando a Igreja Fracassa” de autoria de Almir dos Santos Gonçalves Júnior- JUERP-1995)

sábado, 5 de abril de 2008

IDENTIDADE CRISTÃ - CUIDE DELA PARA NÃO PERDER

1 João 2:3-6


INTRODUÇÃO: A Bíblia fala a respeito dos discípulos que foram chamados de “cristãos”. Isso estava ligado ao modo deles falarem, agirem e testemunharem, "E sucedeu que todo um ano se reuniram naquela igreja e ensinaram muita gente. Em Antioquia, foram os discípulos, pela primeira vez, chamados cristãos" (Atos 11:26, RC95). Cristão é uma pessoa que é influenciada, pertence e professa a doutrina de Jesus Cristo. Devendo, portanto, ser fiel às Escrituras Sagradas, pois são elas que testificam de Jesus, Jo 5:39. O próprio Jesus afirmou: “se permanecerdes nas minhas palavras, verdadeiramente sereis meus discípulos e conhecereis a verdade e a verdade vos libertará” (Jo 8:31-32).

TRANSIÇÃO: O texto básico mostra-nos que a vida cristã é relacional. Tanto em nível vertical, quanto horizontal, isto é, com as pessoas às quais vemos e com Deus a quem servimos, sendo fundamentada no amor (compare 2:5 com 1:6, 7 e 2:9). Estar nele tem como ato seqüente andar nele. Jesus deve ser o referencial de todos aqueles que servem a Deus, "Porque eu vos dei o exemplo, para que, como eu vos fiz, façais vós também" (João 13:15, RC95); "Porque para isto sois chamados, pois também Cristo padeceu por nós, deixando-nos o exemplo, para que sigais as suas pisadas" (1 Pedro 2:21, RC95) No entanto, muitos perderam o gosto, a paixão, o amor e o zelo e já não andam mais com Ele. São muitos os que se enquadram na advertência de Jesus à igreja em Éfeso: "Tenho, porém, contra ti que deixaste a tua primeira caridade. Lembra-te, pois, de onde caíste, e arrepende-te, e pratica as primeiras obras; quando não, brevemente a ti virei e tirarei do seu lugar o teu castiçal, se não te arrependeres" (Apocalipse 2:4-5, RC95).

O que leva uma pessoa cristã a perder sua identidade? 

I – A INDEFINIÇÃO QUANTO A SUA REALIDADE EM CRISTO Aquele que está em Cristo é nova criatura, conseqüentemente sua vida precisa ser pautada de um novo horizonte, 2 Co 5:17. Paulo falou aos Colossenses que se alguém ressuscitou com Cristo precisa buscar as coisas do céu, Cl 3:1, inclusive viver pensando nas coisas celestiais, Cl 3:2, e conforme Tiago declarou é donde procede toda boa dádiva e todo dom perfeito, Tg 1:17. Paulo deixou-nos um exemplo de alguém definido, que sabia o que queria e onde almejava chegar e, superava as circunstâncias não importando quais fossem, "por cuja causa padeço também isto, mas não me envergonho, porque eu sei em quem tenho crido e estou certo de que é poderoso para guardar o meu depósito até àquele Dia" (2 Timóteo 1:12, RC95). Aos Romanos ele mostrou sua convicção quanto ao Evangelho, uma vez que havia sido por muito tempo um de seus opositores, perseguindo com ardente zelo, agora com muita determinação afirmava: "Porque não me envergonho do evangelho de Cristo, pois é o poder de Deus para salvação de todo aquele que crê, primeiro do judeu e também do grego" (Romanos 1:16, RC95). Indefinição é estado ou atitude de quem não se define. Paulo disse que aquele que tem dúvida no comer, se comer está pecando: "Mas aquele que tem dúvidas, se come, está condenado, porque não come por fé; e tudo o que não é de fé é pecado" (Romanos 14:23, RC95). Em resumo: tudo o que você faz sem fé é pecado, inclusive, as orações: "Peça-a, porém, com fé, não duvidando; porque o que duvida é semelhante à onda do mar, que é levada pelo vento e lançada de uma para outra parte. Não pense tal homem que receberá do Senhor alguma coisa. O homem de coração dobre é inconstante em todos os seus caminhos" (Tiago 1:6-8, RC95). Coração dobre é indefinição.

II – A NÃO VALORIZAÇÃO DE SUAS CONQUISTAS Quantas coisas foram conquistadas, inclusive com muito esforço e passado um período de tempo, se descuidou e começou a tratar como algo comum. Cuide bem da sua fé - Ela é seu maior bem, inclusive sem ela não se poderá agradar a Deus, Hb 11:6. E também por ela o justo vive e alcança as promessas de Deus: "Não rejeiteis, pois, a vossa confiança, que tem grande e avultado galardão. Porque necessitais de paciência, para que, depois de haverdes feito a vontade de Deus, possais alcançar a promessa. Porque ainda um poucochinho de tempo, e o que há de vir virá e não tardará. Mas o justo viverá da fé; e, se ele recuar, a minha alma não tem prazer nele. Nós, porém, não somos daqueles que se retiram para a perdição, mas daqueles que crêem para a conservação da alma" (Hebreus 10:35-40, RC95). Cuide bem do seu coração - "Sobre tudo o que se deve guardar, guarda o teu coração, porque dele procedem as saídas da vida" (Provérbios 4:23, RC95). Não se embriague com vinho, mas mantenha-o cheio do Espírito Santo, falando em línguas, cantando e salmodiando ao Senhor com ações de graças. Aquele que alcança o favor de Deus e possui a vida eterna, precisa entender que alcançou uma jóia rara, um tesouro incomparável. Isto exige que seja valorizada. Não negocie a eternidade. Para que pudéssemos ter direito ao céu, Deus deu o melhor que possuía, Seu Filho unigênito, que sofreu e morreu em nosso lugar. Isto não pode se tornar algo comum! Isso é tremendo! "E vos vivificou, estando vós mortos em ofensas e pecados, em que, noutro tempo, andastes, segundo o curso deste mundo, segundo o príncipe das potestades do ar, do espírito que, agora, opera nos filhos da desobediência; entre os quais todos nós também, antes, andávamos nos desejos da nossa carne, fazendo a vontade da carne e dos pensamentos; e éramos por natureza filhos da ira, como os outros também. Mas Deus, que é riquíssimo em misericórdia, pelo seu muito amor com que nos amou, estando nós ainda mortos em nossas ofensas, nos vivificou juntamente com Cristo (pela graça sois salvos), e nos ressuscitou juntamente com ele, e nos fez assentar nos lugares celestiais, em Cristo Jesus; para mostrar nos séculos vindouros as abundantes riquezas da sua graça, pela sua benignidade para conosco em Cristo Jesus. Porque pela graça sois salvos, por meio da fé; e isso não vem de vós; é dom de Deus. Não vem das obras, para que ninguém se glorie. Porque somos feitura sua, criados em Cristo Jesus para as boas obras, as quais Deus preparou para que andássemos nelas" (Efésios 2:1-10, RC95) O filho pródigo começou achar comum e até chata a vida na casa de seu pai e permitiu que seu coração se enchesse de um maldito espírito aventureiro, que o levou a pedir ao seu pai a parte da herança que tinha, num momento inoportuno, pois seu pai ainda vivia. O pai, com o coração doendo, deu ao filho o que pedia. O filho saiu e foi se aventurar, até que perdeu tudo o que achava que tinha. Valorize o que você tem! Você é importante para Deus, mas muito mais importante é Deus para você!


III – A FALTA DE CONSCIÊNCIA QUANTO ÀS CONSEQUÊNCIAS FUTURAS Jesus afirmou que, uma pessoa que experimentou a libertação e volta atrás, se tornará pior do que era: "E, quando o espírito imundo tem saído do homem, anda por lugares áridos, buscando repouso, e não o encontra. Então, diz: Voltarei para a minha casa, donde saí. E, voltando, acha-a desocupada, varrida e adornada. Então, vai e leva consigo outros sete espíritos piores do que ele, e, entrando, habitam ali; e são os últimos atos desse homem piores do que os primeiros. Assim acontecerá também a esta geração má" (Mateus 12:43-45, RC95). Muitos não têm coragem de abandonarem a Igreja, devido a manter uma postura externa, mas acabam indo de denominação a denominação sem, contudo, experimentarem o verdadeiro sabor da comunhão cristã. São, na verdade, pessoas apóstatas ou que preferem ficar carregando um pecado oculto no coração. Deus olha do céu, vê um povo infeliz, sem esperança, mas Ele quer um povo que saiba que Ele é galardoador dos fiéis e que reserva vingança contra os infiéis. Muitos estão vivendo como barco a vela, sem o vento propício para conduzi-los. Mas Ele soprará. Fará que se levante um vento forte, as velas serão infladas com o vento e o Seu Espírito há de impulsionar as suas vidas para diante! Todos se regozijarão em Deus e louvarão o Seu Nome! Nada podemos fazer para o Seu Reino, com o nosso esforço próprio. Ele quer a nossa submissão. Todos os nossos esforços sem a interferência de Deus serão simplesmente infrutíferos. O amor é a contribuição única e eloqüente que podemos dar para que Ele aperfeiçoe a nossa alma, João 14:23.


CONCLUSÃO: Leia o Salmo 51 e veja Davi que perdeu sua identidade espiritual e agora luta para reconquistá-la. Palestra ministrada no SAT Presbiterial em Araranguá-SC. Pr. Wanderley da Silva – 21/09/2007

COMO RESGATAR A VERDADEIRA IDENTIDADE CRISTÃ

Ap 3:14-22 (18)

INTRODUÇÃO: Você consegue ouvir a voz de Jesus a lhe chamar? Pare, reflita e atenda quando Ele fala. Ele nos ama? Mas muitos estão evitando um encontro com Ele. A nossa demora é que nos faz perplexos e confusos. Muitos têm vivido aflito (desassossegado, inquieto), porque tem negligenciado as horas de oração e de comunhão com Deus. Não é difícil achar o caminho da paz quando se está preparado a pagar o preço para se andar nele. Agora, apenas com o auxílio de Deus, a estrada se abre, livremente diante de nós: "Por breve momento te deixei, mas com grandes misericórdias torno a acolher-te; num ímpeto de indignação, escondi de ti a minha face por um momento; mas com misericórdia eterna me compadeço de ti, diz o Senhor, o teu Redentor... Porque os montes se retirarão, e os outeiros serão removidos; mas a minha misericórdia não se apartará de ti, e a aliança da minha paz não será removida, diz o Senhor, que se compadece de ti" (Isaías 54:7-10, BEARA).

TRANSIÇÃO: O texto básico mostra-nos o triste quadro de uma igreja em decadência. Este fato se aplica àqueles que estão vivendo uma vida totalmente destituída da aliança fiel com Jesus. O que vemos é que Jesus ama essas pessoas e lhes dá um conselho: compre de mim ouro puro (que fala da verdadeira riqueza) e colírio para os olhos (restabelecimento da visão cristã). Ele não desiste de nós, mesmo estando em uma vida de pecado, distante do seu propósito Ele continua batendo à porta do nosso coração. O que devemos fazer para resgatar a identidade cristã?

I – RECONHECER QUE PERDEU
"Lembra-te, pois, de onde caíste, arrepende-te e volta à prática das primeiras obras; e, se não, venho a ti e moverei do seu lugar o teu candeeiro, caso não te arrependas" (Apocalipse 2:5, BEARA) O primeiro passo que você dá para sua restauração é perceber e sentir a sua pobreza espiritual. O pobre de espírito não mede o valor da vida por possessões terrenas, que se podem perder da noite para o dia, mas em termos de realidades eternas, que duram para sempre. Sábio é quem abertamente confessa sua falta de riqueza espiritual e de humildade de coração, e clama: "O' Deus, tem misericórdia de mim, pobre pecador" Na economia de Deus, o esvaziar vem antes do encher, a confissão de pecado antes do perdão e a pobreza vem antes das riquezas. O filho pródigo, num estado de decadência, afirmou: “quantos empregados de meu pai têm pão em abundância e eu aqui padeço de fome” "Chegai-vos a Deus, e ele se chegará a vós outros. Purificai as mãos, pecadores; e vós que sois de ânimo dobre, limpai o coração. Afligi-vos, lamentai e chorai. Converta-se o vosso riso em pranto, e a vossa alegria, em tristeza. Humilhai-vos na presença do Senhor, e ele vos exaltará" (Tiago 4:8-10, BEARA).

II – LUTAR INTENSAMENTE PARA REAVÊ-LA
O filho pródigo permitiu a luz do bom senso brilhar em sua mente: “levantar-me-ei e irei ter com o meu pai...” A Palavra de Deus diz a Seus filhos necessitados: "Acheguemo-nos, portanto, confiadamente, junto ao trono da graça, a fim de recebermos misericórdia e acharmos graça para socorro em ocasião oportuna" (Hebreus 4:16). Deus tem plena consciência de que dependemos dEle nas necessidades de nossa vida. Por essa razão, Ele disse: "Pedi, e dar-se-vos-á; buscai, e achareis; batei, e abrir-se-vos-á" (Mateus 7:7). A Bíblia diz: "Arrependei-vos, pois, e convertei-vos, para que sejam apagados os vossos pecados, de sorte que venham os tempos de refrigério da presença do Senhor" (Atos 3:19). A sua parte é arrepender-se. E Deus realizará a conversão, a transformação e lhe dará perdão. Deus te diz hoje: o arrependimento ativa a minha graça – Dá-me tudo: teu corpo, tua mente e teu espírito. Não deixes nada em separado para ti. Fala Comigo muitas e demoradas vezes. Quanto mais o fizeres, mais Eu te ajudarei. A total confissão trará o perdão total. A genuína humildade abre as portas da misericórdia divina. O arrependimento sincero ativa a Minha graça, 1João 1:9-10. Não é fácil quebrar a sua vontade deformada e teimosa; mas, uma vez feito isso, será como fazer voltar ao seu devido lugar uma vértebra que estava deslocada. Em vez da pressão e tensão de uma vida em desarmonia com Deus, agora virá a serena paz da reconciliação com Ele.

III – TOMAR POSSE E REDOBRAR A VIGILÂNCIA
O pai do filho pródigo o recebeu sem nenhum preconceito e tinha tudo preparado para honrá-lo novamente. "E, levantando-se, foi para seu pai. Vinha ele ainda longe, quando seu pai o avistou, e, compadecido dele, correndo, o abraçou, e beijou. E o filho lhe disse: Pai, pequei contra o céu e diante de ti; já não sou digno de ser chamado teu filho. O pai, porém, disse aos seus servos: Trazei depressa a melhor roupa, vesti-o, ponde-lhe um anel no dedo e sandálias nos pés; trazei também e matai o novilho cevado. Comamos e regozijemo-nos, porque este meu filho estava morto e reviveu, estava perdido e foi achado. E começaram a regozijar-se" (Lucas 15:20-24, BEARA). Muitos de nós somos como aquele homem do oeste que tinha quintal de ferro velho. Trabalhou ali bastante tempo, comprando e vendendo velhas sucatas que ajuntava nos subúrbios da cidade. Certo dia, porém, descobriu que naquele quintal havia um veio de petróleo. Empreitou uma turma de perfuração, e logo o ouro negro jorrou em abundância do seio da terra. O seu depósito de ferro velho se transformou numa verdadeira mina de riqueza que não conheceu limites. Talvez você tenha deixado de lado os dons divinos, hoje Deus vai reavê-los. Tome posse das riquezas que Deus tem para você. Não importa o tempo das velharias e da sequidão – Deus vai tornar tudo novo na sua vida. Do seu interior vai fluir rios de águas vivas. O cristão deve manter-se vigilante contra inimigos astutos e implacáveis. Para tanto, tem necessidade de munir-se (abastecer-se de munições) com as poderosas armas da oração e da Palavra. Faz-se mister que o Espírito Santo de Deus o possua, imunizando-o contra as enfermidades contagiosas e fatais, oriundas de uma época corrompida. Eis que o Senhor diz: “TENS ESTADO COMO A PLANTINHA VERDE. AGORA QUERO QUE BROTEM FLORES NA TUA VIDA!”.

CONCLUSÃO: Todas as espécies de artifícios procurarão se colocar diante de ti para destruir o teu equilíbrio espiritual. O poder irradiante do Espírito Santo dentro de tua alma está sempre procurando atrair-te para conservar em ti a perfeita forma divina. Que não haja resistência de tua parte. Antes resiste a atração das forças exteriores, QUE SÃO O MUNDO, A CARNE E O DIABO. É exclusivamente o Espírito de Deus – e ninguém mais debaixo do sol – que pode preservar a tua alma e colocar na tua vida o selo da pureza e a expressão da graça. Gálatas 5:16-25. Palestra ministrada no SAT Presbiterial em Araranguá. Pr. Wanderley da Silva – 21/09/2007